Campeões brasileiros do UFC ainda lutam?

A lista de campeões brasileiros do UFC é longa. Desde 14 outubro de 2006, quando Anderson Silva derrotou Rich Franklin no UFC 64, o Brasil sempre teve um campeão na maior competição de MMA do planeta. É claro, isso se não contarmos o intervalo de dois dias entre a derrota do Rafael do Anjos, no dia 7 de julho 2016, e as vitórias de José Aldo e Amanda Nunes, no UFC 200 em 9 de julho.

No total foram 12 campeões desde a criação das divisões, mais dois da era de torneios. O ano de 2012 foi o mais positivo para o Brasil, com quatro títulos simultâneos: Junior Cigano nos Pesados, Anderson Silva nos Médios, José Aldo no peso Pena e Renan Barão como interino do peso Galo.

Com mais de 10 anos seguidos de vitórias e derrotas (especialmente nos últimos três) a impressão que dá é de uma mudança de safra dos brasileiros. Mas é só impressão mesmo, já que a popularidade do UFC diminuiu do noticiário tradicional. Quanto aos campeões, boa parte deles seguem ai, firmes e fortes.


Atualmente no topo

Amanda Nunes

Cartel: 14 vitórias-4 derrotas (uma defesa de cinturão)
Campeã do peso galo desde o UFC 200 (09/07/2016), ao vencer Miesha Tate.

No último dia 30 de dezembro, a “Leoa” defendeu pela primeira vez seu título, no UFC 207, contra a sempre badalada Ronda Rousey. A próxima luta ainda não está programada, mas a futura adversária tem tudo pra ser a russa Valentina Shevchenko. As duas já lutaram uma vez, no UFC 196, com vitória da brasileira.

José Aldo

Cartel: 26-2 (seis defesas)
Campeão dos pesos pena entre 2011 e 2015, foi o primeiro detentor da cinta da categoria e perdeu para Conor McGregor. Conquistou o título interino no UFC 200.

Em 26 de novembro de 2016, José Aldo voltou a ser o campeão definitivo da divisão dos pesos pena. O irlandês Conor McGregor decidiu subir para os leves, conquistou o título lá e teve que abrir mão do cinturão. Pouco dias depois, Max Halloway derrotou Anthony Pettis e assumiu o posto interino do amazonense. A luta de unificação já está marcada: será dia 3 de junho, no Rio de Janeiro, pelo UFC 212.


Mirando o retorno

Junior Cigano

Cartel: 18-4 (uma defesa)
Campeão dos pesados entre 2011 e 2012, conquistou e perdeu o cinturão para Cain Velasquez.

Há pouco mais de três anos tivemos o último capítulo da trilogia entre o catarinense e Cain Velasquez. Desde então, Junior Cigano lutou três vezes, vencendo duas delas. Uma, inclusive, contra Stipe Miocic, o atual campeão dos pesados. E é justamente contra ele que Cigano voltará a ter chance de segurar o cinturão. A luta está programada para dia 13 de maio, no UFC 211.

Rafael dos Anjos

Cartel: 25-9 (uma defesa)
Campeão dos leves entre 2015 e 2016, tirou o título de Anthony Pettis e o perdeu para Eddie Alvarez.

O reinado do carioca durou apenas uma defesa. Depois da derrota para Eddie Alvarez, Rafael voltou ao octógono em novembro. Na luta contra Tony Ferguson perdeu por decisão unânime, reduzindo suas chances de uma luta para reconquistar o cinturão, ainda mais agora que Conor McGregor chegou à categoria já conquistando o título.

Fabrício Werdum

Cartel: 21-6-1 (não conseguiu defender o título)
Campeão dos pesados entre 2015 e 2016, tirou o título de Velasquez e perdeu pra Stipe Miocic.

O “Vai cavalo!” voltou ao octógono no UFC 198, em setembro do ano passado. Na primeira luta após a perda do título, vitória sobre o americano Travis Browne. A próxima luta é no mesmo UFC 211 de Cigano e Miocic. Se Werdum vencer, tem grandes chances de ser o próximo na fila, já que é atual número um do ranking dos pesados e uma revanche contra Júnior dos Santos teria grande apelo (os dois se enfrentaram no UFC 90, em 2008. Um nocaute do então desconhecido Cigano acabou causando a demissão do então top contender Werdum da organização).


Longe do cinturão, perto do show

Vitor Belfort

Cartel: 25-13 (nenhuma defesa)
Campeão do torneio dos pesados no UFC 12. Campeão dos meio-pesados por sete meses em 2004, quando venceu Randy Couture e perdeu o título na revanche.

Lá se vão 20 anos desde a vitória de Belfort no torneio do UFC 12, na categoria dos pesados. Outros 13 anos da conquista do cinturão dos meio-pesados sobre Randy Couture, no UFC 46. De lá pra cá, o “Fenômeno” disputou cinturão contra Anderson Silva, Jon Jones e Chris Weidman, sem sucesso. Ainda assim, seu nome é sempre lembrado para as disputas. Vem de duas derrotas, mas fará a luta principal do evento UFC Fight Night realizado no próximo sábado, dia 11 de março, em Fortaleza, contra o norte-americano Kelvin Gastelum.

Maurício Shogun

Cartel: 24-10 (nenhuma defesa)
Campeão dos meio-pesados entre 2010 e 2011, tirando o título de Lyoto Machida e perdendo para Jon Jones.

Rua conquistou o título dos meio-pesados de Lyoto Machida em maio de 2010 e perdeu em março de 2011 para Jon Jones. Nestes últimos sete anos, são cinco vitórias e cinco derrotas. Conquistou as últimas duas lutas e atualmente está no sexto lugar do ranking da divisão. É outro que lutará em Fortaleza no próximo sábado, dia 11 de março, contra o americano Gian Villante, número 12. Uma vitória (a terceira seguida) pode fazer o curitibano sonhar com nova disputa de título.


Por aí

Anderson Silva

Cartel: 34-8 (1 no contest) (Dez defesas)
Campeão dos médios entre 2006 e 2013, conquistou o título contra Rich Franklin e perdeu para Chris Weidman. Detentor dos recordes de reinado mais longo dentro da organização e maior número de defesas do cinturão.

É muito estranho falar que o maior (sim, discutível) lutador da história está atualmente “passeando” pelo UFC. Mas não há como negar que, desde as duas derrotas para Chris Weidman, a carreira do “Spider” não vem bem. Depois de quebrar a perna, Anderson foi pego no doping em 2015 e ficou afastado. Em 2016, duas lutas: a polêmica derrota para Bisping e a disputa pelo título dos meio-pesados contra Cormier (com apenas dois dias de aviso). Há quase um mês, no UFC 208, obteve sua primeira vitória desde 2012. Em sétimo no ranking dos médios e com 41 anos, é difícil prever que Anderson Silva ainda vá tentar conquistar algum cinturão.

Renan Barão

Cartel: 34-4 (1 no contest) (três defesas)
Campeão dos galos entre 2012 e 2014, conquistou o título interino contra Urijah Faber e perdeu para TJ Dillashaw.


O potiguar estaria na lista de “Mirando o retorno”, mas decidiu trocar de categoria após a segunda derrota para T.J. Dillashaw. No primeiro combate na divisão dos penas (mesma de José Aldo) foi derrotado por Jeremy Stephens, atual número seis do ranking. Em setembro de 2016, no UFC em Brasília, venceu o americano Phillipe Nover. É atual número 15 dos penas e vai precisar trilhar um bom caminho antes de qualquer disputa de título, isso é, se Aldo não for o campeão da categoria, já que os dois são companheiros de academia e grandes amigos fora do octógono.


Ainda ativos

Lyoto Machida

Cartel: 22-7 (uma defesa)
Campeão dos meio-pesados entre 2009 e 2010, conquistou o título contra Rashad Evans e perdeu para Shogun.

O “Dragão” está suspenso, pelo menos, até 8 de outubro deste ano. Em abril de 2016, alguns dias antes da luta contra Dan Henderson, declarou ter utilizado uma substância que não sabia ser proibida. Depois de conquistar o título dos meio-pesados sobre Rashad Evans, no UFC 98 em 2009, Lyoto foi derrotado por Maurício Shogun. Em 2011, ainda tentou reconquistar o cinturão contra Jon Jones. No ano de 2013 trocou de categoria e teve a chance de buscar o título dos médios contra Chris Weidman, em 2014, também sem sucesso. Aos 39 anos, é difícil saber se Machida terá condições de buscar outro cinturão.

Royce Gracie

Cartel: 15-2-3
Campeão dos torneios peso livre nos UFCs 1, 2 e 4.

O lendário Royce, mesmo aos 50 anos, ainda não se aposentou. Em fevereiro do ano passado derrotou Ken Shamrock, no Bellator 149, por knockout (o primeiro da carreira). O tricampeonato dos torneios no UFC 4 (também venceu o 1 e 2, foi semifinalista do 3) completará 23 anos em dezembro. Gracie já faz parte do Hall da Fama do UFC.

Murilo Bustamante

Cartel: 15-8-1 (uma defesa)
Campeão dos médios em 2002, tirou o título de Dave Manne.

O primeiro brasileiro a vencer um título do UFC na era das categorias (janeiro de 2002), Murilo ainda não se aposentou oficialmente (outro que também tem 50 anos). A verdade é que sua última luta aconteceu em março de 2012, em um evento em Manaus. Bustamante teve seu título do UFC retirado quando assinou com o Pride, em 2002.


Aposentados

Rodrigo Minotauro

Cartel: 34-10-1 (1 no contest) (nenhuma defesa)
Campeão interino dos pesados em 2008, tirou o título de Tim Sylvia e perdeu para Frank Mir.

São quase 2 anos completos da aposentadoria do único gêmeo Nogueira campeão. Em julho de 2016, o ex-detentor do título interino dos pesados foi incluído no Hall da Fama do UFC, durante uma Fan Expo. Ainda detém a façanha de ser o único a conquistar a cinta dos pesados do UFC e Pride. Seu irmão, Rogério Minotouro, ainda está ativo.

Marco Ruas

Cartel: 10-4-1
Campeão do torneio do UFC 7, em 1995.

Segundo brasileiro campeão da história do UFC, o “Rei das Ruas” fez sua última luta em 2007. Virou treinador e professor de vários lutadores, dentre eles Pedro Rizzo. É reconhecido como o primeiro lutador a efetivamente misturar estilos de luta diferentes em lutas de MMA.

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Créditos de foto: adrianpua via Visual Hunt / CC BY-NC-ND

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