Campeonato Brasileiro Feminino 2017 tem muitos gols e velhos problemas

A fase de grupos do Campeonato Brasileiro Feminino de futebol já passou da metade. Nesta semana, os times começaram a disputa do returno e, até a publicação da matéria, apenas Grêmio e Kindermann (SC) ainda não disputaram sua oitava partida. Muitos gols, times despontando, briga acirrada pela artilharia e – como sempre – pouco apoio.

A primeira fase é disputada em dois grupos de oito equipes com jogos de ida e volta dentro do grupo (14 jogos por time). Os quatro melhores de cada chave se classificam para as quartas-de-final. As fases de mata-mata começam na primeira semana de junho e serão disputadas em jogos de ida e volta. O último de cada grupo é rebaixado.

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Parte de cima

Três times dominam a competição com incríveis 87% de aproveitamento: Iranduba (AM) e Corinthians no Grupo 1 e Rio Preto (SP) no Grupo 2. São sete vitórias e uma derrota para cada um desses times (21 pontos), sendo que Corinthians e Iranduba já se enfrentaram duas vezes com uma vitória para cada lado.

Das 63 partidas disputadas até o momento, já foram marcados 184 gols, garantindo a boa média de 2,92 gols por partida. O melhor ataque é do Iranduba (AM) com 22 gols, seguido pelo Rio Preto (SP) com 21. Já a melhor defesa é a do Corinthians com apenas três gols sofridos.

Até o momento, 20 partidas foram vencidas por três ou mais gols de diferença. As maiores goleadas da competição são do Rio Preto contra a Ponte Preta e do Corinthians contra o Grêmio, ambas por 5 a 0. Outro destaque foi a vitória do Iranbuda contra o Audax (SP) por 6×2 fora de casa.

Já na artilharia, quem comanda é uma argentina. A atacante Sole (apelido para Soledad) marcou sete dos 16 gols do Santos na competição. Ela é seguida de perto por Darlene, do Rio Preto, com seis e por mais quatro atletas com cinco.

Sole é artilheira do Brasileirão com 7 gols (Foto: Marcos de Paula/AllSports)

Parte de baixo

Na outra ponta da tabela estão dois xarás. Os Vitórias são lanternas em seus grupos e, ironicamente, ainda não venceram nenhuma partida no Brasileirão. O Vitória de Pernambuco tem dois pontos no Grupo 1 e o Vitória da Bahia tem apenas um ponto no Grupo 2.

A pior defesa é a das pernambucanas com 21 gols sofridos. Seguem de perto Vitória da Bahia, Ponte Preta e São Francisco (BA) com 20 gols cada. Já entre os times com pior ataque estão Vitória (BA) e Grêmio com três gols, seguidos pela Ponte Preta com quatro.

Comparação entre os grupos

Por ser uma competição dividida em dois grupos, a fase de classificação funciona como campeonatos diferentes. Isso poderia prejudicar a competição com uma chave mais forte que a outra, mas os panoramas nas duas chaves são parecidos.

No Grupo 1, Iranduba e Corinthians seguem firmes na liderança e, ao que tudo indica, brigarão entre si pelo primeiro lugar da chave. O Audax segue bem no terceiro lugar, enquanto Kindermann e Sport brigam pela quarta vaga. Já no Grupo 2, o Rio Preto é líder isolado, mas seguido de perto por Santos e Flamengo com 19 e 18 pontos, respectivamente. Outras três equipes brigam pela quarta vaga: Ferroviária e São José (ambas de SP) e Foz Cataratas (PR).

Falta de público e visibilidade

O Brasileirão Feminino melhorou com a nova fórmula, a SporTV transmite uma partida a cada rodada, mas acompanhar a competição ainda é uma tarefa difícil. Enquanto alguns times têm a iniciativa de fazer transmissões pela internet (caso do Santos, por exemplo) outros mal registram os gols de seus jogos. Quando o fazem, alguns não conseguem garantir a qualidade mínima para passar na TV. Mas será que isso deveria ser uma responsabilidade dos clubes ou da CBF?

Outro tipo de informação capenga que fica entre a CBF e os clubes é sobre os públicos das partidas. No site oficial da confederação, a maioria dos jogos não tem informações sobre os chamados boletins financeiros. Em quatro dos oito jogos da primeira rodada realizada nos dias 11 e 12 de março, por exemplo, o boletim está indisponível. A situação piora com o andamento das rodadas, pois alguns times que prestavam conta só divulgam as despesas – o único time que divulga o público com regularidade é o Vitória (BA).

Além da falta de informações para análises, chama a atenção o horário dos jogos. Metade das rodadas foi realizada até o momento contou com jogos no meio de semana à tarde, em horário comercial. Se a falta de cuidados com o futebol feminino ainda esbarram em questões básicas, como criar o interesse do público em um cenário desses? Eis a questão.

Foto Destaque: Michael Dantas/AllSports

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