World Baseball Classic: as convocações do Brasil em 2012 e 2016

No dia 20 de novembro de 2012, um grupo de 28 jogadores escreveu seu nome na história do beisebol mundial ao classificar o Brasil para o World Baseball Classic. A inédita vaga na 3ª edição do principal torneio da modalidade veio de forma surpreendente. A seleção canarinho precisou vencer o Panamá (por duas vezes) e a Colômbia, em uma eliminatória realizada justamente no país caribenho, fanático pelo esporte. Era o prêmio dado à tradição que existe (sim!) por aqui (especialmente na comunidade japonesa) e o resultado do aumento de atletas exportados para as ligas profissionais dos EUA e Japão.

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Escalação da seleção brasileira na partida final do qualificatório do World Baseball Classic, versus o Panamá.
Escalação da seleção brasileira na partida final, versus o Panamá / Arte por Thomé Granemann em 2012

Rumo ao World Baseball Classic 2017

No próximo dia 23 de setembro, o Brasil irá disputar o “Qualificatória 4” em Nova York, sonhando com a possibilidade de retornar à fase final do World Baseball Classic. E a convocação da equipe que nos representará no torneio foi divulgada na noite desta última segunda-feira (23). No papel, comparando as duas listas, é possível afirmar que o Brasil vai tão forte quanto da última vez. Confira na planilha as duas convocações:

Sentiu falta de algum jogador? É claro que naquela época tínhamos as presenças de Yan Gomes (catcher do Cleveland Indians) e Paulo Orlando (outfielder do Kansas City Royals) reforçando nosso plantel. Mas a verdade é que Yan havia acabado de ser trocado pelo Toronto Blue Jays. Já Paulo ainda lutava para subir nas Minor Leagues. Muito diferente de hoje, em que o primeiro é títular na equipe de Ohio (quando não está machucado) e o outro traz na bagagem o título da última World Series (sendo o primeiro brasileiro da história).

Não há dúvida de que com a presença de ambos, nossas chances de classificação tinham tudo para aumentar. Mas nesta fase do WBC, é difícil que qualquer equipe profissional americana ou japonesa libere seus principais jogadores. E é no chamado “segundo escalão” de atletas que podemos apostar, inclusive pensando na fase final, em 2017.

Leve renovação

Dos 28 atletas presentes em 2012, 11 retornam para mais um qualificatório. André Rienzo se mantém como o principal nome deste time e, mesmo tendo sido trocado para o Miami Marlins, segue atuando em alto nível e irá liderar o bullpen. Já outros 3 jogadores parecem ter engrenado na carreira. O pitcher Hugo Kanabushi, que já atuava no farm system da Nippon Professional Baseball, trocou o Tokyo Yakult Swallows pelo Yomiuri Swallows, e chega a entrar na rotação do clube que formou Hideki Matsui.

O arremessador Thyago Vieira subiu no sistema do Seattle Mariners, arremessando alguns innings para a equipe da categoria Classe A – avançada. Por fim, Leonardo Reginatto tem tudo para ser o quarto brasileiro a atuar em uma equipe da Major League Baseball. Enquanto que em 2012 ele tentava subir da Classe A do Tampa Bay Rays, agora está no Triple A do Minnesota Twins, atuando com regularidade.

 

Porém para Murilo Gouvea, Rafael Fernandes e Lucas Rojo, nem tudo saiu como o esperado. Lucas, que em 2012 estava com 18 anos, era novato no farm system do Phillies. Contudo, sem obter o resultado esperado, teve a sua experiência encerrada em 2014 e retornou ao Brasil, inclusive atuando pela seleção em outras competições.

Já a dupla de arremessadores veteranos chegou a ter oportunidades em 2015, com Murilo Gouvea sendo designado para o Fresno Grizzlies (Tripe A do Houston Astros) e com Rafael Fernandes jogando pelo Canberra Calvary, da liga profissional australiana. Mas em 2016, ambos retornaram ao Brasil.

Novatos mais estabelecidos

A seleção de 2012 já possuía jovens que iniciavam suas carreiras de forma promissora Eram os casos de Rafael Moreno, Felipe Burin, Iago Januário e Pedro Ivo Okuda (além do próprio Lucas, já citado). Só que a atual seleção parece ter nomes mais consolidados.

Bo Takahashi e Luiz Gohara já estão em equipes Classe A e vão reforçar o corpo de arremessadores, essencial em uma competição que limita o número de pitches. A dupla de gringos Tim e Christian Lopes já atua no Double AA e vai auxiliar Reginatto no infield. Reforços mais que necessários, levando em conta que o icônico Daniel “Yuchi” Matsumoto se aposentou e agora é treinador assistente no Tokyo Yakult Swallows.

Se não podemos contar com Yan e Paulo, pelo menos temos Luis Camargo (catcher) e Luciano Fernando (outfielder). O primeiro está na equipe do Rimini Baseball, que acabou de virar vice-campeã do campeonato profissional da Itália. O segundo vem jogando pelo Tohuko Rakuten Golden Eagles, da NPB, inclusive com 8 home-runs na conta (e subindo).

O caminho no World Baseball Classic 2012

Nas eliminatórias de 2012, a missão do Brasil não era fácil. No grupo com Panamá, Colômbia e Nicaragua, a seleção tinha pela frente adversários mais tradicionais na modalidade. E a sequência de confrontos era desfavorável: enfrentamos os donos da casa logo na abertura.

Já na competição deste ano, o Brasil pode comemorar pelo menos o campo neutro. Nosso primeiro adversário é o Paquistão, com tradição na modalidade mas que faz sua estreia no World Baseball Classic. As outras duas seleções são a Grã-Bretanha e Israel, ambos eliminados no qualificatório da edição 2013.

Foto principal: Barry Larkin continua como técnico do Brasil no World Baseball Classic.

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