As atletas que viraram mães e voltaram em alto nível

Ser uma atleta de alto nível não é fácil. As exigências físicas são extremas e as dores são constantes. Dependendo do esporte, a carreira de uma atleta pode durar cinco anos. Mas também há aquelas que passam facilmente dos 15 anos dedicados ao esporte. Além disso, as cargas de treino, viagens e campeonatos quebram qualquer rotina.

Por causa destes motivos, há muitas mulheres profissionais do esporte que esperam para se tornarem mães – aquelas que desejam isso, claro -, engravidando após a aposentadoria. Mas há outras, como são os casos recentes de Dani Lins e Camila Brait no voleibol brasileiro, que escolhem tirar um tempo para a gravidez.

Mesmo com toda a transformação que o corpo da mulher passa, os estudos mais recentes mostram que não há problemas em seguir a vida de atleta por um tempo. Não faltam exemplos das jogadoras que entravam em quadra com uma barriguinha saliente. E claro, não é surpresa nenhuma que várias, mesmo depois da gravidez, seguiram suas carreiras em alto nível.

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As atletas mães

Kim Clijsters – Tênis

A tenista belga alcançou o topo do ranking em 2003, aos 21 anos. Mas com tantas lesões, ela encerrou sua carreira quatro anos mais tarde. Pouco mais de um ano após sua saída do circuito, ela daria a luz a sua primeira filha. Em 2009, a então aposentada Kim foi convidada para um evento teste na quadra principal de Wimbledon. Clijsters decidiu retornar ao circuito (ou como ela mesma diz, começar uma segunda carreira) e no mesmo ano pediu para entrar no U.S. Open como convidada.

Ninguém imaginava que ela venceria Venus Williams, Serena Williams e Carolina Wozniacki para conquistar seu segundo Grand Slam (o primeiro foi em 2005) e também se tornar, na época, apenas a segunda mãe a conseguir tal feito. Não à toa ela recebeu o apelido de “mother of all comebacks. Esta ‘segunda carreira’ de Kim trouxe mais conquistas que a anterior. A belga conquistou mais um U.S. Open em 2010, seu terceiro WTA Finals (02,03 e 10) e um Aberto da Austrália 2011. Ela voltou ao topo também em 2011. Agora realmente aposentada, Kim é mãe de mais dois filhos.

Kerri Walsh Jennings – Vôlei de praia

Não faltam exemplos do vôlei brasileiro entre as mamães atletas. Isabel talvez tenha sido a primeira reconhecida ‘barrigona em quadra’, mas recentemente outras jogadores da seleção como Paula Pequeno, Jaqueline, Tandara e Fabíola também tiveram suas gestações acompanhadas de perto. Mas talvez o maior exemplo de ‘retorno em alto nível’ seja da norte-americana Kerri Walsh Jennings.

Após conquistar o ouro em Atenas 2004 e Beijing 2008, Walsh se tornaria mãe de dois meninos em 2009 e 2010. Isso não impediria a jogadora de seguir dominando e conquistar o seu tricampeonato olímpico ao lado da parceira Misty May-Treanor, em Londres 2012. Logo após a conquista, ela revelaria que estava grávida de sua terceira filha durante os jogos. A jogadora de 38 anos ainda veio conquistar o bronze no Rio 2016.

Maurren Maggi – Atletismo

Em 2004, a saltadora Maurren Maggi estava bem no meio de um dos seus piores períodos esportivos: um ano antes ela havia caído no exame antidoping e cumpria suspensão de duas temporadas. Contudo, foi durante esta época que ela deu a luz à Sophia, sua filha.

A saltadora retornou aos treinos em 2006 e no ano seguinte conquistaria o ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Mas o melhor ainda estava por vir: em Beijing 2008, se tornaria a primeira brasileira a conquistar um ouro em prova individual nas Olimpíadas.

Fabiana Beltrami – Remo

A remadora catarinense foi a primeira brasileira a conquistar uma medalha de ouro em Campeonatos Mundiais. A conquista veio na categoria single skiff leve, na Eslovênia em 2011. O curioso é que Fabiana, atleta desde os 15 anos, voltou à categoria leve após a gravidez da sua filha Alice – que nasceu em 2009.

Com um novo peso e uma nova categoria (até então Fabiana disputava o skiff duplo), a atleta alcançou seus melhores resultados individuais. Além do Mundial, Beltrame conquistou duas medalhas de prata nos Jogos Pan-Americanos (2011 e 2015). Infelizmente, o single skiff leve nunca fez parte do programa olímpico e Fabiana só disputou os Jogos em duplas.

Hortência Marcari – Basquete

A rainha Hortência já estava em fim de carreira quando deu à luz o seu primeiro filho, João Victor, em 1995. Após as conquistas do Pan-Americano em 91 e do Mundial em 94, a ala-armadora do Brasil dizia que não voltaria à seleção. Mas poucos meses após o nascimento, voltou e ajudou o time brasileiro a chegar na histórica medalha de prata, em Atlanta 1996.

Depois de 20 anos, João Victor voltou a ser notícia nos Jogos Olímpicos, mas desta vez como cavaleiro, representando o Brasil no hipismo, no Rio 2016.

Foto de capa: Me in ME via VisualHunt / CC BY

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