As maiores rivalidades da Era Aberta do tênis

O tênis é um esporte que se renova a cada geração. Os estilos de jogo podem ser parecidos, mas ao decorrer dos anos a evolução física de cada atleta passou a ser cobrada tanto quanto sua técnica. É ousado comparar gerações e, quando a discussão parte para as maiores rivalidades do tênis, a gente acaba imaginando como seria um confronto entre Borg e Federer ou quão emocionante seria ver Serena e Navratilova em lados opostos da quadra.

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Porém, preferimos listar as grandes rivalidades do tênis. Decidimos não selecionar confrontos pré Era Aberta, por ser outro tipo de jogo. Também não repetimos nomes, isso para poder incluir o maior número possível de grandes tenistas. Ao escrever esse texto, ficou a certeza de que grandes rivalidades formam grandes tenistas. Existe algo em ter um adversário forte que traz o melhor de cada atleta, como poderemos ver a seguir.

John McEnroe e Bjorn Borg (1978-1981)

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John McEnroe e Bjorn Borg
Créditos: Visual Hunt

Se compararmos o número de partidas entre os tenistas, são poucas – apenas 14. Porém, a rivalidade entre Borg e McEnroe foi tão marcante que vai virar filme em 2017Entre julho de 1979 e agosto de 1981, os dois se revezaram no topo do ranking sete vezes. O contraste entre seus temperamentos e estilos de jogo teve seu ápice na final de Wimbledon 1980. O sueco Borg jogava sem demonstrar emoção, frio e praticamente cirúrgico. Jogava na linha de fundo com um top spin marcante. Já o americano McEnroe ficou conhecido por seu jeito petulante que poderia explodir em quadra a qualquer momento. Era forte no saque e voleio. A rivalidade dos dois foi apelidada de Gelo contra Fogo. 

No encontro notável do Slam da grama, McEnroe virara número 1 meses antes e Borg procurava o recorde de cinco títulos de Wimbledon consecutivos na Era Aberta. No tie break do quarto set, McEnroe salvou cinco match points na parcial que acabou 7/6 (18) – sim, 18-16 no tie breakPorém, Borg foi superior no quinto set e venceu uma das maiores partidas da história, atingindo o recorde de vitórias seguidas de Wimbledon na Era Aberta. No ano seguinte eles repetiriam a final, dessa vez com vitória do americano. Borg logo largou o tênis (com apenas 25 anos) e nos deixou imaginando o quão grande ainda poderia ser essa rivalidade. Na soma de resultados, sete triunfos para cada lado indicam o equilíbrio do duelo. 

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Ivan Lendl e Jimmy Connors (1979-1992)

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Ivan Lendl e Jimmy Connors
Créditos: Visual Hunt

Os outros dois tenistas dominantes do final dos anos 70 até o meio dos anos 80 foram o americano Jimmy Connors e o tcheco naturalizado americano Ivan Lendl. Connors, sete anos mais velho, venceu as oito primeiras partidas entre os dois, porém perdeu as últimas 17. Do total de 35, Lendl venceu 22 e Connors 13. Cada um conquistou oito Grand Slams e ambos foram número 1.

Em sete partidas de Grand Slam, foram duas finais disputadas com uma vitória para cada lado. A rivalidade ficou marcada pela final do US Open de 1982, quando Connors desafiou Lendl a dar uma passada por ele – o americano venceu aquele confronto. Coincidentemente, a última partida entre os dois foi no mesmo torneio, e dessa vez o tcheco levou a melhor. Se a diferença de idade fosse menor, talvez teríamos ainda mais a comparar.

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Pete Sampras e Andre Agassi (1989-2002)

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Pete Sampras e Andre Agassi
Créditos: Visual Hunt

Dando um salto no tempo, do início dos anos 90 até 2002 a rivalidade entre Pete Sampras e Andre Agassi fez brilhar os olhos da multidão. A partir de 1989, os dois se enfrentaram 34 vezes, com vinte vitórias de Sampras. Ambos tiveram carreiras marcantes, com Sampras atingindo o recorde de mais títulos de Grand Slam na época (14, posteriormente quebrado por Roger Federer) e Agassi sendo o primeiro a atingir o Career Golden Slam, o ouro olímpico mais os quatro Majors (posteriormente igualado por Rafael Nadal).

Sampras tinha um estilo mais conservador, com um grande serviço e o marcante estilo saque e voleio. Agassi, com seus cabelos longos – pelo menos no início de carreira –, jogava predominantemente na linha de fundo e tinha uma devolução  considerada por muitos a melhor de todos os tempos. Mesmo com esse contraste dentro de quadra, fora dela eles eram grandes amigos e o são até hoje. A partida mais memorável foi a quarta-de-final do US Open de 2001, quando Sampras venceu por 6/7 7/6 7/6 7/6. Nenhum serviço foi quebrado naquele jogo. Coincidentemente, o último jogo entre os dois foi a final do US Open do ano seguinte, novamente com vitória de Sampras.

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Roger Federer e Rafael Nadal (2004- )

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Roger Federer e Rafael Nadal Créditos: Visual Hunt

Depois da aposentadoria de Sampras e Agassi, o circuito masculino ficou sem uma grande rivalidade. Gustavo Kuerten, Lleyton Hewitt e até Andy Roddick chegaram ao topo, mas então apareceu um dos maiores jogadores da história. Em 2004, o suíço Roger Federer assumiu a ponta e ficou 237 semanas consecutivas como número 1 da ATP. Foi desbancado por um espanhol de 22 anos chamado Rafael Nadal. Até 2011, os dois se revezaram no topo. Com certeza, é a grande rivalidade de nossa época – e aqui é muito válido mencionar Novak Djokovic como um desafiante, mas que chegou um pouco depois.

Mais uma vez, temos um duelo de estilos. Federer decide os pontos rápido, com velocidade, agilidade e buscando as linhas (na grama de Wimbledon, ele tem sete conquistas). Nadal é mais defensivo, explora a linha de fundo e usa um memorável top spin – que o rendeu dez títulos de Roland Garros. Só de ver esse domínio em superfícies tão diferentes, já dá pra entender o contraste entre os dois. Em 2017, temos a grata surpresa de vê-los novamente apresentando uma técnica incrível e, por enquanto, cada um levou um Slam para casa (com Federer vencendo o próprio Nadal na Austrália). De suas 37 partidas, 23 são finais. Dessas, nove foram decisões de Slams, com Nadal ganhando seis. Nos treze anos de confronto (e contando!), Nadal lidera por 23 a 14.

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Chris Evert e Martina Navratilova (1973-1988)

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Chris Evert e Martina Navratilova
Créditos: Visual Hunt

Já mencionamos rivalidades espetaculares no circuito masculino, mas acredito que nenhuma delas chega perto do que Chris Evert e Martina Navratilova fizeram na WTA. De todas as listas de melhores tenistas da história que eu li, em nenhuma Evert e Navratilova ficam fora do Top 5. Em dezesseis anos (1973-1988), elas jogaram uma contra a outra oitenta vezes. Entre o começo de contagem do ranking (em novembro de 1975) até a chegada ao topo de Steffi Graf (agosto de 1987), por apenas 23 semanas nenhuma delas esteve em primeiro. São doze anos de domínio completo de duas tenistas no circuito. Isso rendeu um documentário da série 30 for 30 da ESPN onde elas revivem a rivalidade e sua amizade fora das quadras.

Evert era a tenista séria, que nunca errava e parecia imbatível no fundo de quadra. Quando Navratilova chegou com um estilo distinto, de saque e voleio, agressiva, o duelo fez o público vibrar. Vale mencionar que elas não jogavam contra apenas em torneios, como também treinavam juntas e isso transformava seus jogos em embates psicológicos onde qualquer uma poderia vencer. A amizade entre a queridinha dos Estados Unidos e a tcheca que era lésbica (tudo isso na época da Guerra Fria) entra não apenas para a história do esporte, mas do mundo. Quando Navratilova buscou sua naturalização estadunidense, por conta do preconceito com sua orientação sexual, Evert foi uma das maiores apoiadoras. Em quadra, ao todo são 36 títulos de Grand Slam na conta (18 para cada uma), 61 finais entre as duas (10 a 4 para Navratilova em Grand Slams) e 43 a 37 no placar final para a tcheca-americana.

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Monica Seles e Steffi Graf (1989-1999)

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Monica Seles e Steffi Graf
Créditos: Visual Hunt

Assim que Evert e Navratilova se aposentaram, Steffi Graf apareceu no circuito. A alemã reinou sozinha por três anos, até a chegada da jovem iugoslava Monica Seles, de apenas 18 anos. Infelizmente, as duas se enfrentaram apenas quinze vezes. Ambas dominavam o circuito no início dos anos 90 (incluindo três finais seguidas de Slams em 92 e 93), caminhando para o nascimento de mais uma grande rivalidade. Porém, em abril de 93, Seles foi esfaqueada em uma partida do torneio de Hamburgo por um fã de Graf que tinha problemas mentais. Na época, foi especulado que o ataque tivesse motivações políticas (pela tenista ser iugoslava e estar sofrendo diversas ameaças de morte perto do acontecimento).

O que se pode ter certeza é que a rivalidade poderia ser muito maior. Após o ataque, Seles ficou fora do circuito por dois anos e meio. Quando voltou, as duas dividiram o #1 por 64 semanas, em uma situação singular. Dos quinze confrontos, Graf venceu dez. Seles ainda conquistou o Australian Open de 1996 e Graf chegou ao recorde (ainda corrente) de semanas consecutivas no topo do ranking, com 377.

Martina Hingis e Lindsay Davenport (1995-2006)

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Martina Hingis e Lindsay Davenport
Créditos: Visual Hunt

Entre 1995 e 2006, a suíça Martina Hingis e a americana Lindsay Davenport se enfrentaram 25 vezes (fazendo 17 finais!), com 14 vitórias da americana. As duas se revezaram no ranking entre 1998 e 2000, com destaque para a conquista de Hingis em Wimbledon 1996 com apenas 15 anos e nove meses e a vitória do ouro olímpico por Davenport no mesmo ano. Em títulos de Slam, duas finais e uma conquista para cada.

A rivalidade das duas chegou a categoria de duplas, onde competiram seis finais de Grand Slam, todas vencidas por Hingis com quatro parceiras diferentes. Uma delas, Natasha Zvereva, foi dupla de Davenport em cinco dessas finais. Depois de aposentadas, as duas formaram sua própria dupla na categoria Legends e conquistaram mais alguns títulos. Posteriormente, Hingis “desaposentou” e segue sendo uma das principais duplistas do circuito.

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Davenport e Hingis jogando duplas Legends em Wimbledon 2011 Crédito de foto: Carine06 via Visualhunt / CC BY-SA

Venus Williams e Serena Williams (1998- )

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Venus Williams e Serena Williams (Crédito: Visual Hunt)

As irmãs Venus e Serena Williams mudaram as últimas décadas do circuito da WTA. De Roland Garros de 2002 à Austrália em 2003, elas competiram em quatro finais seguidas de Grand Slams. Foi a única vez na história que isso aconteceu entre mesmas tenistas. Desde 1998, são 28 confrontos, 17 vencidos por Serena. São nove finais de Grand Slam, com Serena levando a melhor em sete, a última delas na Austrália no início de 2017.

As irmãs são destaque por seu estilo de jogo: com muita potência e com saque de ótima velocidade. Venus é mais alta e usa esse fator para esticar suas bolas, enquanto Serena é mais agressiva e distribui golpes. Sem dúvidas, as duas mudaram a cara do circuito desde que ingressaram na WTA. Seja jogando junto (onde têm números imbatíveis, como 14 títulos de Grand Slam) ou uma em cada lado da quadra.

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Crédito da foto principal: © Pochat / L’Équipe

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