Análise: Quem leva Wimbledon pra casa?

Por Gabriela De Toni e Nicolas Quadro

As finais de Wimbledon chegaram. Confira nossos palpites e análises dos jogos!

Raonic (6) x Murray (2)

AELTC/Eddie Keogh . 08 July 2016
Raonic: força mental e resistência para eliminar Roger Federer AELTC/Eddie Keogh

Com a eliminação precoce de Novak Djokovic, a parte de cima da tabela simples masculina ficou muito aberta. Roger Federer era o nome mais cotado, mas Marin Cilic e Milos Raonic também tinham suas chances. Nas quartas, Federer se superou para virar os 2 sets a 0 de Cilic, em uma partida com pouquíssimos erros e saques potentes vindos dos dois lados da quadra. Raonic sofreu um pouco menos para passar pelo também sacador Sam Querrey, algoz de Djokovic na competição.

A partida de semifinal também foi marcada por um grande jogo. Raonic é o mesmo tipo de jogador que Cilic, um tenista de saque e voleio, estilo que combina muito com a grama. Do outro lado, o maior vencedor de Wimbledon (ao lado de Pete Sampras, com sete títulos) e um dos melhores jogadores de rede da história e um dos maiores da história, Roger Federer, também muito efetivo nessa superfície. A diferença entre uma partida e outra foi o período de ascensão de Raonic, que ainda tem tênis a evoluir, e a estabilidade de Cilic, que aos 27 anos já tem sua carreira mais definida. Depois de uma partida longa de 5 sets, Federer enfrentou outra com o mesmo número e não resistiu na última parcial, quando Raonic adquiriu muita confiança nas devoluções e sacou com muita eficiência sem dar chance de retorno ao suíço.

Raonic já fez história. O jovem de 25 anos é o primeiro canadense a chegar a uma final de Grand Slam, e chegará ao 5º lugar no ranking da ATP se conquistar o título.

Da parte de baixo da tabela saiu o nome mais carimbado e de melhor tênis no momento: Andy Murray. O britânico usou o fator casa e sua incrível consistência para chegar a sua 11ª final de Grand Slam. Nunca esteve perto de ser eliminado e administrou bem adversários que poderiam ser perigosos, como Nick Kyrgios e Jo-Wilfred Tsonga (este último chegou a forçar um quinto set após vitória parcial de Murray por 2 a 0, mas não teve impacto no decisivo perdendo por 6/1). Contra Berdych, Murray mostrou-se mais uma vez cirúrgico e aplicou um triplo 6/3, definindo o jogo em duas horas.

Esta será a terceira vez de Murray na final de Wimbledon, igualando a marca de Stefan Edberg e Andy Roddick. O britânico perdeu em 2012 para Federer e venceu Djoko em 2013.

O britânico vem como franco favorito na disputa e seu poder defensivo será o maior desafio para Raonic até agora, pois o canadense enfrentou jogadores com seu estilo até o momento. Será um jogo marcado com muita troca de bola, bastante subida à rede do canadense e Murray devolvendo sempre uma bola a mais. Na grama, esses são ingredientes que tornarão a final ainda mais interessante.

Williams (1) x Kerber (4)

Este tem sido um torneio impecável para Serena Williams. A número 1 do mundo não está apenas na final de simples, como também na de duplas. Por pouco, as irmãs Williams não dominaram a chave feminina, já que Venus caiu apenas na semifinal para Kerber. O jogo ofensivo e com pressão de Serena se destaca mais na grama e assustou suas adversárias que, assim como Murray, nunca estiveram de fato perto da vitória para cima da americana. Serena perdeu apenas um set (e isso foi na segunda rodada) e está em busca de seu sétimo Slam na grama, correndo atrás do recorde de Steffi Graf como maior vencedora da história – a ex-tenista alemã tem 22 títulos em simples. Ela busca a revanche do Australian Open, onde a outra finalista conquistou o Slam.

Angelique Kerber é o seu nome. A tenista atual número 4 do mundo está se destacando em 2016 em quadras rápidas e na grama. Sua temporada no saibro não foi boa, mas a jogadora voltou impondo novamente seu estilo de jogo defensivo que foi muito eficiente até agora. Foram seis partidas, 12 sets vencidos em 12 disputados e a melhor campanha no Slam da grama na sua carreira. Contra a número 1, ela tentará repetir o feito de janeiro, onde foi mais consistente, errando menos e devolvendo tudo, e aproveitou a inconsistência da adversária pelas tentativas de forçar bolas e seguidas subidas à rede erradas. Na final do Australian Open, Serena foi bem aquém do esperado. Em Wimbledon, ela teve até agora o torneio perfeito. Se a americana mantiver o que tem apresentado, com seu estilo ofensivo e mortal, irá ser bem sucedida. Se a alemã tiver a paciência de devolver todas as bolas e a perspicácia de contra-atacar nos momentos certo, será uma adversária à altura. Podemos esperar um jogo de ataque/defesa com a proposta do jogo vindo de Williams e a perspectiva de um resultado diferente do que tivemos no primeiro Slam do ano.

Herbert/Mahut (1) x Benneteau/Vasselin

AELTC/Joel Marklund . 07 July 2016
AELTC/Joel Marklund . 07 July 2016

A surpresa das duplas masculinas tem sido por conta de Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin. Os atuais número 20 do ranking eliminaram no seu caminho os cabeças-de-chave 9 (Inglot/Nestor), 8 (Pospisil/Sock), 3 (Murray/Soares) e 11 (Klaasen/Ram). O curioso é que na chave simples os dois tenistas saíram cedo da competição. Eles tem como maior desafio a dupla número 1 Pierre-Hugues Herbert e Nicolas Mahut, que também não teve resultados expressivos nos primeiros Slams do ano. Resumindo, são duplas que conseguem resultados bons na grama (Benneteau/Roger-Vasselin estão 12/3 na temporada enquanto Herbert/Mahut estão 18/2) por conseguirem diminuir ainda mais o tempo por ponto no tênis de duplas. Quem quebrar o saque terá a vitória do set nas mãos, mas será uma disputa acirrada nos detalhes e nos voleios bem ou mal colocados.

Babos/Shvedova x Williams/Williams

AELTC/Eddie Keogh
AELTC/Eddie Keogh

A dupla Timea Babos e Yaroslava Shvedova voltou em 2016 e está com uma proporção vitórias-derrotas boa, resultado ainda mais expressivo na grama (na temporada elas possuem 18 vitórias para 6 derrotas e 7 sucessos para uma falha na grama). É engraçado afirmar isso, mas Serena e Venus Williams são uma surpresa maior na final. As duas irmãs, que tem uma dupla de sucesso (afinal, conquistaram os quatro Slams juntas 13 vezes), não disputaram o torneio de duplas em 2015 e não chegam a uma final desde 2012, quando foram campeãs em Wimbledon. Coincidentemente, este é o piso na qual têm mais vitórias, com um total de cinco triunfos. Isso mostra que, mesmo perto do fim de carreira, as duas continuam tendo uma sintonia de dar inveja e podem disputar as melhores posições do ranking ainda na categoria de duplas. A experiência e o entrosamento de duas irmãs contra o retorno de uma dupla que ainda busca conquistar um título de Slam dará uma ótima partida para assistir.

(Foto destaque: Joel Marklund/AELTC)

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