Rio 2016: A olimpíada da superação feminina

O primeiro ouro do Brasil nas Olimpíadas em casa veio com Rafaela Silva, a judoca que sagrou-se campeã na modalidade leve até 57kg. Mulher, nascida na Cidade de Deus (famosa comunidade no Rio de Janeiro), negra. Rafaela tem uma história linda de superação no esporte, visto que foi eliminada em 2012 por golpe ilegal. Recebeu críticas horríveis, foi vítima de racismo e deu a volta por cima para subir ao lugar mais alto do pódio, orgulhando sua família e seu país. Mas, mais que tudo, Rafaela é um exemplo de vida, de uma pessoa que nasceu com poucas condições, teve auxílio de programas sociais, acreditou em si mesma e no esporte e teve a força de tentar de novo. Na Olimpíada e por meio do espírito olímpico, nós somos apresentados a muitas histórias incríveis de pessoas que tiveram que deixar muita coisa ruim pra trás em busca de seu sonho. Atletas que, mesmo não conquistando medalha, já são vencedoras na vida. A seguir, confira algumas dessas histórias de superação:

Getty Images for IOC
Foto: Getty Images for IOC

Yusra Mardini

Com 18 anos, Yusra Mardini compete a Rio 2016 pelo time de Refugiados. Nascida na Síria, ela deixou seu país nadando e, junto com a irmã, guiou o barco pelo Mediterrâneo por mais de três horas quando este encalhou, salvando a vida de todos que ali estavam. E foi para nadar que ela veio do Brasil, mais exatamente nos 200 metros livre. Por representar toda a população de refugiados do mundo (que já somam cerca de 60 milhões de pessoas) e demonstrar que os dias melhores vêm, Yusra serve de exemplo para todos nós.

Reprodução: Twitter
Foto: Reprodução Twitter

Majlinda Kelmendi

O judô feminino está repleto de histórias incríveis, dentre elas, a de Majlinda Kelmendi, primeira medalhista de ouro do Kosovo. A nação balcânica declarou independência da Sérvia em 2008 e, desde então, vem lutando para o reconhecimento internacional. O Brasil é um dos países que ainda não reconhece o Kosovo (109 em 193 Estados consideram). A atleta recebeu diversas propostas – algumas delas milionárias – de se naturalizar por outro país e competir normalmente. Ela recusou e conquistou a medalha para sua nação e para lembrar da luta do Kosovo.

Foto: COB
Foto: COB

Joanna Maranhão

Com 12 anos, estava em um Pan-Americano. Aos 17, já participava de uma Olimpíada e sagrava-se a quinta mulher mais rápida do mundo na modalidade 200m medley. Dois anos depois, tentou suicídio. Isso porque, desde os 9 anos, sofria abuso sexual do ex-treinador. Da glória ao fundo da depressão, essa é a história da nadadora pernambucana Joanna Maranhão. A terapia a fez viver todos seus traumas, mas saiu de lá de cabeça erguida. Não teve medo de dizer o que pensava e pensa e vive em atritos com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. Nada, mas também luta contra a redução da maioridade penal, contra a pedofilia e a favor dos gays e das minorias. Joanna Maranhão representa a força, a garra e o coração dos brasileiros. Nesta semana foi atacada covardemente nas redes sociais e deu uma entrevista emocionada à ESPN falando sobre o caso. Mais uma batalha a ser vencida por Joanna.

Gabrielle Douglas

Ela foi a atleta sensação das Olimpíadas de 2012. Medalhista de ouro por equipes e no individual geral da ginástica artística em Londres, a estadunidense então com 16 anos já havia superado muita coisa na vida. Mesmo assim, o título não a polpou de debate generalizado sobre seu cabelo. Foi a primeira negra a conquistar o ouro individual, mas antes precisou morar sozinha a 1600km casa para treinar e viver pela ginástica artística. Até 2016, Douglas passou por muita coisa. Trocou de treinador várias vezes, perdeu seus índices de pontuação e ficou dois anos fora da equipe nacional. Mesmo com os obstáculos, conseguiu se reafirmar e volta a competir em 2016 na busca por mais medalhas.

Foto: MIGUEL MEDINA/AFP/GettyImages
Foto: MIGUEL MEDINA/AFP/GettyImages

Daniela Piedade

No dia 29 de setembro de 2012, um mês depois de defender a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres, a pivô Dani Piedade sentiu uma tontura e perdeu os sentidos. Era um Acidente Vascular Cerebral, o AVC. Dani ficou dez dias internada, se recuperou e em maio do ano seguinte voltou a atuar pela seleção brasileira, para então conquistar o título mundial inédito no handebol feminino brasileiro. Em 2016 e aos 37 anos, ela participa de sua quarta Olimpíada e já anunciou aposentadoria da seleção após o torneio.

Foto destaque: Toshifumi Kitamura/AFP

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