A revolução da arbitragem e do futebol brasileiro

O ano de 2016 pode ser crucial para o futebol brasileiro. Uma inovadora mudança pode ser implantada a fim de encerrar, ou pelo menos diminuir ao máximo, as polêmicas de arbitragem que envolvem os jogos do Campeonato Brasileiro. Afinal, a partir de maio, todos os jogos do Brasileirão 2016 terão o pioneirismo de um assistente de vídeo para auxiliar a decisão do árbitro principal em lances capitais das partidas.

Uma reportagem do jornal O Globo trouxe, no dia 19 de fevereiro, a informação de que um comitê da CBF está levando essa proposta para a Reunião Geral da International Football Association Board (IFAB), entidade que regulamenta o futebol mundial. O pedido inicialmente foi feito em 2015  à CBF pelo Conselho Técnico de Clubes, formado por representantes de Fluminense, Atlético-MG, Atlético-PR, Grêmio e Corinthians, que reuniu informações e repassou o pedido à FIFA. Depois de ter o pedido negado em 2015, a tendência é que dessa vez o projeto seja aprovado e o Campeonato Brasileiro de 2016 seja usado como teste dessa nova tecnologia.

A diretoria da IFAB se reuniu em janeiro em um encontro anual e recomendou que os testes fosse postos em prática. Além do Brasil, Estados Unidos e Holanda também se candidataram e podem ter seus campeonatos testados com o Árbitro de Vídeo.  O veredito sairá em uma reunião no dia 5 de março em Cardiff, na Inglaterra.

Aplicação

O Árbitro de Vídeo não terá total autonomia e sua consulta será feita em determinados lances capitais. O Árbitro de Vídeo não poderá ter influência em lances de interpretação, como a dúvida na marcação de faltas ou na aplicação de um cartão amarelo, por exemplo. Saiba quais são as possibilidades:

1. Em lances que o a bola cruza o plano de gol e o juiz não assinala o gol, ou vice-versa.

2. Em lances que a bola sai pela linha de fundo e a jogada termina em gol logo na sequência.

3. Gols e pênaltis assinalados que possam ser evitados em caso de falta indiscutível na jogada.

4. Faltas duvidosas inicialmente assinaladas dentro ou fora da área.

5. Lances de agressão o violência não vistos pelo árbitro ou pelos assistentes.

Na prática, uma cabine será montada em cada estádio das 10 partidas de cada rodada do Brasileirão, sendo composta por Árbitro de Vídeo e um técnico de imagem, para reprisá-las com rapidez. O juiz da partida não tem poder para acionar o novo assistente, mas usará um fone receptor, acionado por meio de rádio pelo Árbitro de Vídeo na cabine, que informa o juiz imediatamente quando houver absoluta convicção de que uma imagem pode corrigir um determinado erro inicial.

Por exemplo: em um lance, o lateral vai à linha de fundo e faz o cruzamento, o atacante cabeceia e faz o gol. Se o Árbitro de Vídeo concluir que a bola claramente saiu antes do cruzamento, ele avisa o árbitro principal, que anula o gol imediatamente.

Outro exemplo: O atacante sofre uma falta fora da área, mas o Árbitro de Vídeo vê o replay e informa que a falta foi claramente dentro da área, configurando o pênalti. Em poucos instantes o juiz poderá inverter a marcação inicial sem comprometer a dinamicidade da partida, que já teria sido paralisada pela marcação de falta.

A verdade é que, sem testes prévios, a aplicação de uma tecnologia tão inovadora e pioneira em uma competição tão importante como o Campeonato Brasileiro chega a assustar. A imprevisibilidade do resultado dessa mudança é tão grande quanto a da recepção do público do futebol brasileiro. A polêmica no futebol nunca vai acabar. Toda segunda-feira os comentaristas esportivos e os botequeiros continuarão a discutir sobre a não marcação de um pênalti ou  um cartão amarelo em uma hora errada, mas o que se espera da CBF, FIFA, IFAB e afins são atitudes que, assim como essa, têm a intenção de melhorar a qualidade do futebol como um todo.

Podcast

Nós do Time de Fora discutimos essa e outras questões envolvendo o uso de tecnologia na arbitragem de esportes como vôlei, tênis e futebol. Você pode ouvir o episódio clicando no link abaixo.

 Botão link EsporteCast-01

Photo credit: The Bay Area Bias via Visualhunt.com / CC BY-ND

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